Conheça a história dos gêmeos que escolheram a Enfermagem como propósito de vida

Os irmãos Moisés de Farias Pescumo e Ângelo Mário de Farias Pescumo, de 20 anos, compartilham desde cedo muito mais do que a semelhança física e as histórias curiosas típicas de gêmeos. A conexão entre eles também se revela nas escolhas profissionais: ambos cursam a Graduação em Enfermagem no Einstein.
A escolha pela profissão nasceu de paixões individuais que, ao longo do tempo, se encontraram em um mesmo propósito: compreender o corpo humano e cuidar de pessoas com conhecimento, técnica e humanização.
Para Moisés, o caminho tem raízes profundas. Desde a infância, o interesse pela área da saúde já se manifestava de forma natural. “Sempre que passava algum programa relacionado a hospital, alguma coisa me intrigava. Eu queria entender como tudo funcionava”, conta.
Ângelo trilhou um percurso semelhante, ainda que com algumas mudanças no caminho. O interesse começou ainda nos estudos escolares, ao se aprofundar no conhecimento sobre o corpo humano.
“Precisei estudar todos os sistemas do corpo para uma prova e aquilo me encantou. Eu percebi que queria trabalhar com algo que me permitisse entender essa complexidade e cuidar das pessoas de forma completa”, relembra.
Ele chegou a iniciar a Graduação junto com o irmão, interrompeu por um período e depois retornou à Enfermagem. “Hoje tenho certeza de que estou no caminho certo. Eu gosto de algo mais concreto, técnico e encontrei isso na Enfermagem.”
Formação que conecta teoria, prática e desenvolvimento humano
A escolha pelo Ensino Einstein também carrega uma história pessoal. Os irmãos nasceram no Einstein Hospital Israelita e cresceram com referências positivas dentro da própria família.
“Sempre fomos muito bem atendidos. O Einstein é uma referência para a minha família. Então, para mim, fazia sentido estar aqui também como aluno”, explica Ângelo.
Ao iniciar a Graduação, ele encontrou um ambiente que superou as expectativas, especialmente pela combinação entre qualidade acadêmica e desenvolvimento interpessoal.
“Os professores são muito preparados e próximos dos alunos. Você percebe que existe um acompanhamento real. Além disso, a metodologia ativa faz com que a gente trabalhe muito em grupo, o que desenvolve não só o conhecimento técnico, mas também habilidades como gestão de conflitos, comunicação e liderança”, destaca.
Essa dinâmica, segundo ele, impacta diretamente na formação profissional. “Você aprende a lidar com pessoas desde cedo. Isso faz diferença porque, no futuro, você não vai lidar só com conteúdo, vai lidar com pacientes, equipes, situações complexas”, observa.
Outro ponto que chama atenção é a integração com a Pesquisa. “Os professores sempre incentivam a Iniciação Científica. É um ambiente que conecta ensino, prática e produção de conhecimento, o que amplia muito as possibilidades de formação”, completa.
Vivência prática desde o início amplia a compreensão do cuidado
Ainda no segundo semestre, Ângelo teve seu primeiro contato com o campo por meio de um estágio na UBS Jardim Olinda, unidade gerenciada pelo Einstein.
“Esse estágio é importante porque você começa entendendo como o sistema funciona. Eu consegui ver como é a gestão da unidade, quais são os setores, qual é o papel do Enfermeiro dentro desse contexto”, explica.
A experiência trouxe uma visão ampliada do cuidado em saúde. “Você entende como o Einstein organiza as unidades, como capacita os profissionais e como se preocupa com a população atendida. Isso conecta muito com a realidade”, reforça.
Para ele, o modelo progressivo da formação é um diferencial. “Primeiro você entende o todo, depois entra na prática. Isso evita sobrecarga e traz mais segurança.”
Além do estágio, Ângelo também buscou uma monitoria na área administrativa, o que ampliou sua compreensão sobre o funcionamento institucional.
“Eu trabalhei com planilhas, prontuários e organização de dados. Isso mostra que o cuidado não está só no contato direto com o paciente, mas também na forma como todo o sistema é estruturado”, afirma.
Moisés: prática assistencial e imersão em Oncologia
No quarto semestre, Moisés vivencia uma rotina intensa e muito ligada à prática assistencial. Ele faz estágio na disciplina de Integralidade do Cuidado do Adulto e Idoso, no Residencial da Vila Mariana, gerenciado pelo Einstein, e atua como monitor na área de Oncologia na Unidade Morumbi do Hospital, com passagem por diferentes frentes de atendimento.
“Na monitoria, eu acompanho três setores: o ambulatório de quimioterapia, onde são administrados os tratamentos, e também as áreas de internação de tumores sólidos e hematológicos”, explica.
As experiências, segundo ele, são complementares e fundamentais para a formação. “O estágio agrega principalmente o conhecimento assistencial: exame físico, anamnese, intervenções baseadas em diagnósticos de Enfermagem”, exemplifica.
Já a monitoria amplia o olhar institucional e administrativo, mostrando como o Enfermeiro atua também na organização do cuidado dentro do hospital.
Essa vivência prática tem sido decisiva para consolidar seu projeto de carreira. “É na prática que você entende a responsabilidade do cuidado e o impacto direto que tem na vida do paciente”.
Para ele, estar no Einstein é motivo de orgulho e realização. “O curso de Enfermagem é o mais antigo do Einstein e o Hospital é o melhor da América Latina. Tudo isso tem grande peso, além de o diploma ser reconhecido internacionalmente”, reforça.
Projetos de carreira: assistência, gestão e pesquisa como caminhos complementares
Mesmo em fases diferentes da Graduação, os irmãos já desenham suas trajetórias. Ângelo pretende iniciar a carreira na assistência, com foco em áreas como Urgência e Emergência, Oncologia ou Obstetrícia.
“Quero me dedicar ao máximo ao cuidado direto no começo da carreira. É ali que você aprende de verdade”, afirma. No médio prazo, ele planeja migrar para funções de Gestão e cursar uma Pós-graduação para isso.
“Depois quero ir para uma área mais estratégica, talvez atenção primária ou gestão hospitalar. Tenho interesse em trabalhar com fluxo de pacientes, organização do cuidado, melhoria de processos”, planeja, complementando que a função de Enfermeiro Navegador também o atrai.
Moisés, por sua vez, tem um direcionamento para a Oncologia, tanto na Assistência quanto na Pesquisa. “Quero atuar nas duas frentes: na Assistência, cuidando diretamente dos pacientes Oncológicos e na Pesquisa, desenvolvendo estudos que contribuam para novos tratamentos e intervenções”, explica.
A especialização também já faz parte do planejamento. “Quero fazer Pós-graduação em Oncologia e me aprofundar tanto na parte Assistencial quanto na científica”.
Troca constante entre irmãos fortalece a formação
A convivência entre os dois também impacta diretamente o aprendizado. “A gente sempre troca experiências. Ele me conta sobre os estágios, sobre os pacientes, sobre situações que vive”, diz Ângelo.
Moisés reforça o papel dessa troca. “Sempre que posso, compartilho o que estou aprendendo”.
Fora da faculdade, a sintonia continua. Os dois compartilham gostos, rotina e momentos do dia a dia: do time de futebol, a Portuguesa de Desportos, às preferências musicais, como pop rock.
Mas também preservam individualidades, como no paladar. Enquanto o estrogonofe está entre os favoritos de ambos, Moisés destaca seu predileto: o bacalhau em natas preparado pela família.
Para ele, a vida de gêmeos tem um significado próprio. “É um companheirismo infalível. Uma parceria que começa no início da vida e segue por ela inteira”.







