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Ex-aluna da Pós-graduação em Endocrinologia do Einstein conta como a formação fortaleceu sua atuação na saúde indígena

Profissional com atuação direta em territórios indígenas relata como a formação ampliou sua visão para atuação em Pesquisa e Assistência e enfrentamento de desafios diversos

Em um país que abriga mais de 300 povos indígenas e enfrenta desafios históricos na garantia de saúde e acesso a cuidados especializados, atuar com populações originárias exige preparo técnico, sensibilidade cultural e compromisso contínuo com a formação.

É nesse contexto que se destaca a trajetória da Dra. Carla Rafaela Donegá, Médica especialista em Medicina de Família e Comunidade, que há anos dedica sua carreira à saúde indígena em diferentes territórios do país.

Atualmente, ela trabalha em Ambulatório de Saúde dos Povos Indígenas e no Projeto Xingu, além de integrar iniciativas com o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS) no Einstein e o Programa Mais Médicos.

Essa rotina ganhou ainda mais força após sua formação na Pós-graduação em Endocrinologia do Ensino Einstein, realizada neste ano. O curso ampliou sua capacidade de compreender e atuar no contexto dos desafios metabólicos que atravessam essas populações.

Uma carreira construída dentro dos territórios

Desde o início da atuação profissional, a Dra. Carla esteve profundamente ligada aos povos indígenas. Ao longo dos anos, trabalhou em territórios como Xingu (MT), Panará (PA) e Yanomami (AM), além de acompanhar povos como Munduruku, Caiapó e Xavante.

Sua prática envolve tanto a Assistência direta quanto a formação de agentes indígenas de saúde e Médicos que ingressam em territórios, além de participação em projetos internacionais, como iniciativas da OPAS Guatemala (escritório nacional da Organização Pan-Americana da Saúde, que funciona como o Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde na Guatemala).

Seu trabalho também inclui a construção de linhas de cuidado específicas para populações indígenas em contexto urbano, como a que ajudou a estruturar em Guarulhos. “Eu trabalho com saúde indígena há alguns anos e tenho o prazer de atuar com quase metade dos povos cadastrados pela FUNAI”, conta.

Ex Aluna Da Pós Graduação Em Endocrinologia Do Einstein Conta Como A Formação Fortaleceu Sua Atuação Na Saúde Indígena 2

As carências que atravessam a saúde indígena

A vivência da Dra. Carla nos territórios revela um cenário complexo, marcado por vulnerabilidades sobrepostas. A chamada tríplice carga de doenças, formada por doenças infectocontagiosas, doenças crônicas não transmissíveis e condições de saúde mental, convive simultaneamente entre os povos indígenas.

“Enquanto o país já fez a transição das doenças infectocontagiosas para as crônicas não- transmissíveis, nos territórios indígenas ainda vemos pessoas morrendo de diarreia, malária e outras infecções, ao mesmo tempo em que já enfrentam diabetes, hipertensão e síndrome metabólica”, explica.

A perda de territórios, a contaminação ambiental e a ruptura da matriz alimentar tradicional agravam esse cenário. A entrada de alimentos ultraprocessados, muitas vezes substituindo a produção de subsistência, tem impacto direto na saúde metabólica dessas populações.

O caso Yanomami é emblemático, segundo ela. “O mais próximo da alimentação tradicional numa cesta básica para o povo Yanomami era uma sardinha enlatada”, relembra. A mudança alimentar, somada à vulnerabilidade genética e associada à síndrome metabólica, cria um ambiente de risco ampliado.

A Pós-graduação em Endocrinologia do Ensino Einstein

Foi diante desse cenário que a Médica decidiu aprofundar sua formação. Engajada em um projeto de Doutorado voltado ao comportamento metabólico da população indígena, ela buscava uma base sólida para investigar como a síndrome metabólica se manifesta entre diferentes povos.

“Eu quis casar a Pós-graduação do Einstein com a Pesquisa que estamos ampliando no Brasil para entender melhor o comportamento metabólico e o diabetes na população indígena”, afirma.

A escolha pelo Ensino Einstein veio pela seriedade científica, pela qualidade dos Docentes e pela possibilidade de discutir casos complexos com especialistas da área. “Ter professores qualificados, que pensam Endocrinologia o tempo inteiro, fez toda a diferença”, destaca.

A Pós-graduação permitiu ampliar sua capacidade de análise das doenças crônicas em povos indígenas, fortalecer sua atuação na atenção primária, onde grande parte das demandas metabólicas se concentram, e qualificar a investigação sobre vulnerabilidade genética e comportamento metabólico entre diferentes povos.

Além disso, a formação contribuiu para que ela construísse relatórios mais robustos destinados a órgãos públicos, discutisse artigos e evidências com profundidade e avançasse de forma consistente em seu projeto de Doutorado.

“A Pós me deixou mais segura, em contato direto com pessoas me apoiando na hora de discutir um artigo, pensar junto, construir conhecimento. O programa me deu um substrato enorme, foi um salto na minha carreira, ampliando em mim a visão, o repertório e a responsabilidade”, define.

Conhecimento como ferramenta de transformação

A Médica segue com um objetivo grandioso: mapear geneticamente ao menos metade dos povos indígenas para compreender, com precisão, como a síndrome metabólica se comporta entre eles.

A meta é produzir evidências que subsidiem políticas públicas e estratégias de cuidado mais adequadas. “Eu tenho sonhos de conseguir rastrear geneticamente esses povos e mostrar a necessidade de olharmos para essas doenças também nessa população”, afirma.

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