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Saiba como os cuidados paliativos transformam a jornada de um paciente

Com abordagem interdisciplinar e prática, a Pós-graduação do Ensino Einstein prepara especialistas para promover qualidade de vida e acolhimento em todas as etapas do cuidado

Muitas pessoas ainda associam os cuidados paliativos apenas aos momentos finais da vida do paciente. No entanto, essa área da saúde vai além, ao oferecer acolhimento e assistência integral desde o início do diagnóstico de doenças graves e potencialmente sem cura.

Entre as grandes missões de quem atua nessa área, está a busca pelo alívio de qualquer tipo de sofrimento físico, emocional, social e espiritual de pacientes e familiares.

Mais do que um conjunto de técnicas, trata-se de uma abordagem multiprofissional, em que Médicos, Enfermeiros, Psicólogos e outros profissionais atuam juntos para garantir qualidade de vida, respeito e dignidade em cada etapa do cuidado.

“Cuidados paliativos não são apenas para o fim da vida. Eles acompanham o paciente desde o diagnóstico, ajudando a controlar sintomas, dar apoio à família e construir um plano de cuidados ao longo de todo o processo”, explica a Psicóloga e Paliativista e Coordenadora da Pós-graduação em Cuidados Paliativos do Ensino Einstein, Juliana Gibello.

Há dez anos formando profissionais para o cuidado integral

Em 2025, a Pós-graduação em Cuidados Paliativos do Ensino Einstein completou dez anos de história.

Criado pouco tempo depois da estruturação do serviço de cuidados paliativos do Einstein Hospital Israelita, o curso nasceu com a missão de formar profissionais preparados para atuar de maneira integrada e humanizada, respeitando a complexidade de cada caso.

De uma turma inicial com 17 alunos, o programa cresceu de forma expressiva e hoje conta com mais de 1,7 mil alunos formados e, atualmente, com oito turmas ativas em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Goiânia.

O curso é interdisciplinar, reunindo Médicos, Enfermeiros, Psicólogos, Dentistas e outros especialistas que aprendem, juntos, a olhar o paciente e seus familiares de forma ampla e multidimensional.

“Não existe um saber que se sobrepõe ao outro. A integração entre as áreas é um dos grandes diferenciais do curso, sendo um dos pressupostos dos Cuidados Paliativos, o trabalho em equipe”, reforça Juliana Gibello.

A Coordenadora acrescenta que a procura por essa especialização vem crescendo, especialmente após a instituição da Política Nacional de Cuidados Paliativos, em 2024, que tem como objetivo, organizar e expandir a oferta desse cuidado em todos as redes de atenção à saúde do país.

Prática estendida: quando teoria e vivência se encontram

Nos últimos três anos, a Pós-graduação passou a oferecer um diferencial que vem transformando a formação dos alunos: a prática estendida no Hospital Municipal Vila Santa Catarina, em São Paulo, gerenciado pelo Einstein.

Durante 100 horas de estágio supervisionado, os profissionais atuam em campo, no hospital, participando de atendimentos, reuniões familiares e discussões de casos com equipes especializadas.

Essa vivência permite que os alunos desenvolvam habilidades técnicas, de trabalho em equipe e de comunicação, essenciais ao trabalho paliativista.

“Estar em contato direto com pacientes e famílias muda completamente a forma de enxergar e manejar o cuidado. É nesse momento que teoria e prática se encontram”, afirma Juliana.

Neste ano, a prática estendida será oferecida no primeiro e no segundo semestres das unidades de São Paulo (até 2025, era oferecida somente no segundo semestre), com previsão de expansão também para Goiânia.

Divisor de águas

Médica Clínica e Paliativista, a Dra. Cristiane Tamily Nishimoto é um exemplo de como a especialização pode transformar trajetórias. Natural de Jales (SP), ela concluiu a Pós-graduação em Cuidados Paliativos em 2024 e hoje realiza o sonho de trabalhar na área em hospital de sua cidade.

“A Pós-graduação em Cuidados Paliativos foi um divisor de águas na minha carreira. Graças a ela, pude voltar para Jales e exercer a Medicina em que acredito: a que cuida das pessoas e das famílias até o fim, literalmente”, conta a Dra.

Ela destaca ainda o papel das atividades práticas e do rigor acadêmico na formação. “O estágio e as tarefas exigiam dedicação e estudo constante. Foram experiências valiosas para aplicar o que aprendíamos nas aulas teóricas”, reforça.

Um aprendizado que forma especialistas com foco na humanização

Para Juliana Gibello, o impacto do curso vai além do desenvolvimento técnico.

“Os alunos sempre dizem que não saem da Pós-graduação como entraram. Eles mudam o posicionamento pessoal e profissionalmente”, revela.

Para a especialista, trabalhar com cuidados paliativos exige sensibilidade, ética e uma comunicação sensível e muito assertiva. É estar presente em momentos decisivos e significativos da vida de alguém.

Com metodologias inovadoras, como simulações realísticas com atores, aulas interativas e professores especialistas, a Pós-graduação em Cuidados Paliativos do Ensino Einstein segue cumprindo seu propósito: formar profissionais capazes de promover o cuidado integral e humanizado, valorizando a vida em todas as suas etapas.

Também atuam na coordenação do curso, as Médicas Geriatras e Paliativistas Dra. Ana Beatriz Galhardo Di Tommaso e Dra. Sibelle Tierno.

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