Ciência e Vida

Graduação em Odontologia Einstein: prática hospitalar prepara alunos para atuar em casos de alta complexidade

No Hospital Darcy Vargas, em São Paulo, estudantes atuam em Ambulatório, UTI e Centro Cirúrgico, atendendo pacientes com condições complexas

Atendimentos em Ambulatório, Centro Cirúrgico, Unidade de Terapia Intensiva e Enfermaria hoje fazem parte da rotina de alunos da Graduação em Odontologia do Ensino Einstein, no Hospital Estadual Infantil Darcy Vargas, em São Paulo, que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é gerenciado pelo Einstein Hospital Israelita.

Sempre com orientação do Corpo Docente, eles acompanham e tratam pacientes que apresentam condições complexas.

Entre os públicos beneficiados estão crianças em tratamento oncológico, pacientes com malformações craniofaciais e fissuras labiopalatinas, além de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), grupos que frequentemente enfrentam desafios para acessar atendimento odontológico qualificado. Dessa forma, a iniciativa promove inclusão e equidade.

A parceria, iniciada no final de 2025, também fortalece a atuação multiprofissional, reconhecendo a saúde bucal como parte essencial do cuidado integral à saúde.

Ao mesmo tempo, transforma a formação dos estudantes ao inseri-los em contextos reais e diversos do sistema de saúde.

A depender do semestre que cursam, alguns dos alunos realizam atendimentos dentro de estágios e outros participam livremente das atividades, conforme disponibilidade e organização realizada pelos Docentes.

O grau de complexidade do atendimento cresce de acordo com a própria evolução dentro do curso, mas, desde o primeiro semestre, os alunos já participam da prática.

“Outro importante diferencial do projeto é a realização de atendimentos em Centro Cirúrgico, com sedação e suporte hospitalar, possibilitando o tratamento de pacientes que, por condições comportamentais, clínicas ou de complexidade do caso, não conseguiam receber assistência odontológica em ambiente convencional”, destaca a Coordenadora do curso, Letícia Bezinelli.

Formação na prática e desenvolvimento profissional

O processo de amadurecimento dos alunos é visível ao longo do tempo e vai além da técnica. “Ver os alunos se desenvolvendo é muito gratificante. A cada ida ao Hospital, eles saem um pouquinho mais profissionais do que entraram”, conta a Docente da Graduação e Preceptora, Danielle Correa.

Segundo ela, a vivência no ambiente hospitalar expõe os estudantes a situações que ampliam rapidamente sua capacidade de atuação. “Eles aprendem a lidar com o imprevisível, a tomar decisões com mais segurança e a entender o paciente dentro de um contexto muito mais amplo”, explica.

No Hospital Darcy Vargas, os alunos acompanham desde avaliações iniciais até atendimentos em internação, incluindo pacientes em tratamentos como o oncológico, hemodiálise e até em UTI. “É um cenário muito rico. O aluno não vê só o procedimento, ele entende o impacto da saúde bucal na condição sistêmica daquele paciente”, destaca a Danielle.

O contato com casos complexos amplia o entendimento sobre o papel da Odontologia no cuidado integral. “A gente ensina que o paciente não é uma boca, não é um dente. É um todo”, reforça a Docente.

Essa abordagem está refletida diretamente na forma como os alunos passam a se relacionar com pacientes e familiares, desenvolvendo escuta ativa, empatia e responsabilidade clínica.

A vivência também fortalece a atuação interdisciplinar. No dia a dia, os estudantes interagem com Médicos, Enfermeiros e outros profissionais para definição de condutas. “Muitas vezes, precisamos discutir o caso com a equipe para ajustar dieta, manejo de dor ou até o melhor momento para um procedimento odontológico. Isso amplia muito a visão do aluno”, explica.

Outro destaque é o desenvolvimento de habilidades específicas no atendimento infantil e de pacientes com necessidades especiais. “Eles aprendem, por exemplo, a adaptar a comunicação para crianças, a conduzir o atendimento de forma mais lúdica e a orientar familiares e cuidadores. Isso faz toda a diferença na prática”, afirma Danielle.

Mesmo em cenários de alta complexidade, a segurança é um princípio central. “Tudo é feito com supervisão próxima. O aluno aprende fazendo, mas com respaldo, orientação e base científica”, completa.

Atendimentos altamente especializados

O Hospital Estadual Infantil Darcy Vargas também se destaca como campo de aprendizado por concentrar atendimentos altamente especializados. Nesse contexto, a Docente, Pesquisadora e integrante do Corpo Clínico do Einstein, Daniela Bueno, ressalta o caráter único da formação oferecida aos alunos.

Referência no atendimento a pacientes com fissuras labiopalatinas e malformações craniofaciais, a unidade permite que os estudantes tenham contato direto com casos raros e de alta complexidade desde a Graduação.

“Esse tipo de atendimento, na maioria das vezes, só é visto em cursos de Especialização ou Pós-graduação. Aqui, o aluno de Graduação já vivencia essa realidade de forma prática”, explica.

Daniela destaca que o diferencial começa ainda na base teórica, com a introdução precoce desses temas na sala de aula. “Desde o início do curso, os alunos aprendem sobre síndromes e malformações craniofaciais. Quando chegam ao Hospital, eles conseguem conectar teoria e prática de forma muito mais consistente”, afirma.

Na rotina do ambulatório especializado, os estudantes acompanham e realizam atendimentos que envolvem desde bebês até adolescentes, participando de planejamentos terapêuticos e intervenções clínicas.

“Eles aprendem, por exemplo, a atuar na reabilitação desses pacientes desde os primeiros dias de vida, entendendo todas as etapas do cuidado”, detalha.

A atuação acontece de forma integrada com outras especialidades. “O atendimento é multiprofissional. Trabalhamos diretamente com Cirurgiões Plásticos, Fonoaudiólogos, Médicos Pediatras e outros especialistas. O aluno vivencia, na prática, como essa construção conjunta impacta o resultado final do tratamento”, explica.

Segundo Daniela, esse contato transforma a maneira de pensar do estudante. “Eles desenvolvem um raciocínio clínico muito mais amplo, aprendem a priorizar condutas e a compreender o paciente de forma integral, considerando todas as suas particularidades”, afirma.

Além do impacto na formação, ela reforça o papel social da iniciativa. “Estamos ampliando o acesso a um tipo de cuidado altamente especializado que nem sempre está disponível. É uma parceria que gera benefício direto para os pacientes e, ao mesmo tempo, proporciona uma formação extremamente diferenciada para os alunos”, conclui.

Da teoria à prática, experiências das mais variadas

Para Jullia de Lima, aluna do 7º semestre da primeira turma do curso, a trajetória ao longo da Graduação é marcada por uma sucessão de experiências que vão agregando, progressivamente, à sua formação.

“Desde o início do curso, temos sido agraciados com muitas experiências e oportunidades enriquecedoras para o currículo e para a vida”, afirma. Segundo ela, esse percurso começa cedo. “Estudar no Einstein me moldou. Desde o primeiro semestre podemos estagiar nas Unidades Básicas de Saúde geridas pela organização”, reforça.

Ao longo dos semestres, a vivência vai se expandindo para diferentes cenários do sistema de saúde, com atuação em ambientes como Unidade Básica de Saúde (UBS), Assistência Médica Ambulatorial (AMA), hospitais municipais e Centros de Especialidades Odontológicas.

O Einstein também proporciona ações em territórios diversos. “No primeiro ano, participei de mutirões na comunidade de Paraisópolis. Depois, também tivemos experiência em comunidade quilombola”, conta Jullia. “Aprendemos a atuar em cenários e realidades diversos”.

Com o Hospital Darcy Vargas, um avanço nas vivências

No Hospital Estadual Infantil Darcy Vargas, essa formação ganha um novo nível de complexidade. “A oportunidade de atendimentos aqui tem sido única”, relata Jullia. “Minha primeira experiência no Hospital Darcy Vargas foi em um mutirão cirúrgico, quando pude realizar pela primeira vez uma cirurgia em âmbito hospitalar”, conta.

O suporte Docente foi determinante nesse momento. “Tive grande apoio da Professora Danielle, que incentivou e acompanhou todo o processo. Foi um grande diferencial, inclusive, acompanhar a forma como ela conduziu o cuidado com a família no pós-cirúrgico. Aprendi como profissional e como pessoa. Foi uma grande inspiração”, define.

Após essa etapa, Jullia passou a atuar também no ambulatório. “Casos que pareciam muito teóricos eu vi na prática, como Autismo, Síndrome de Down, síndromes raras e fissuras labiopalatinas”, exemplifica.

A convivência com especialistas também marcou a experiência. “Ter contato com a Professora Daniela Bueno, que é referência em fissuras labiopalatinas, agrega muito à nossa formação”, destaca.

Além da diversidade de cenários, Jullia destaca o acesso à tecnologia e à estrutura como diferenciais importantes do Ensino Einstein: insumos variados para dentística e impressora 3D são apenas alguns dos exemplos. “Em uma das minhas atividades, consegui confeccionar uma prótese provisória para uma paciente, utilizando impressora 3D. Foi uma experiência ímpar”, relata.

Ao mesmo tempo, a formação prepara para diferentes realidades. “Aprendemos a atuar em cenários diversos, inclusive os mais desafiadores, sempre com base científica e segurança”, reforça. A estudante acrescenta que, desde o início da Graduação, há também estímulos para Iniciação Científica e Pesquisa.

Diante de tantas vivências, as possibilidades de carreira se multiplicam. “São muitas possibilidades que o Einstein nos apresenta, fica até difícil escolher”, diz Jullia. Entre os caminhos que mais a atraem estão a Odontologia Hospitalar, além de áreas como Implantodontia e Periodontia.

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