Ciência na prática: Ensino Einstein incentiva pensamento crítico entre jovens de Paraisópolis
Ação educacional promove acesso à ciência e amplia horizontes de jovens alunos da rede pública, com foco em incentivo à Pesquisa e transformação social

Em sua quinta edição, o projeto Jornada Científica dos Cientistas do Amanhã reafirma seu propósito de aproximar jovens da ciência de forma prática e significativa, estimulando o pensamento crítico e beneficiando comunidades.
Idealizada pelo Programa de Pós-graduação stricto sensu em Ciências da Saúde, em parceria com o Programa Einstein na Comunidade Paraisópolis (PECP), em São Paulo, a iniciativa conecta educação, Pesquisa e impacto social.
Voltado a alunos da Escola Municipal de Educação Fundamental Prof. Paulo Freire, com idade entre 13 e 15 anos, o projeto amplia horizontes e possibilidades. A primeira etapa é marcada por uma semana intensiva de imersão no ambiente de Pesquisa do Einstein.
São 45 alunos que vivenciam, na prática, o funcionamento de laboratórios e o contato com temas atuais da ciência da saúde. “Eles aprendem que existe uma pergunta científica e que há uma metodologia para responder a essa pergunta”, explica a Coordenadora Científica do projeto, Médica Pesquisadora e Docente da Pós-graduação, Dra. Erika Bevilaqua Rangel.
A semana de imersão, nesta temporada, foi realizada em maio. Durante o período, os estudantes exploraram áreas como Neurociências, Oncologia, Bioinformática e doenças crônicas. Também tiveram acesso a equipamentos e rotinas laboratoriais, entendendo como a ciência se constrói no dia a dia.
“O cerne do projeto é mostrar que a Pesquisa é uma ferramenta para responder problemas reais”, destaca a Dra. Erika.
Da pergunta à solução: protagonismo dos alunos
Ao final da imersão, os alunos são desafiados a desenvolver um projeto de Pesquisa. Mesmo com pouco tempo, conseguem estruturar perguntas, pensar metodologias e propor soluções conectadas à realidade de sua comunidade.
“Eles conseguem propor questionamentos relevantes, mesmo em poucos dias nessa primeira etapa”, afirma a Coordenadora.
Os temas surgem da vivência cotidiana. A proposta estimula não apenas o aprendizado técnico, mas também a autonomia e a capacidade de análise. Habilidades como comunicação e trabalho em equipe também são desenvolvidas ao longo do processo.
Um dos grupos, por exemplo, explorou o tema das doenças hepáticas e propôs um olhar voltado à própria comunidade: como identificar pessoas com fatores de risco de forma precoce. A partir dessa questão, os alunos consideraram aspectos como consumo de álcool, infecções por hepatites virais e relações sexuais sem proteção.
“A proposta evoluiu para a identificação de possíveis grupos de risco e a construção de estratégias simples de triagem, com foco em diagnóstico precoce e encaminhamento para tratamento adequado.
Segunda etapa aprofunda conhecimento e prática
Os alunos que se destacam seguem para a segunda fase, com duração de quatro meses, a partir de agosto. Nesse período, participam de Iniciação Científica com encontros semanais e atividades práticas mais aprofundadas, orientados por alunos da Pós-graduação.
“Eles vão aprender desde técnicas laboratoriais até a aplicação desses conhecimentos na vida real”, explica a Dra. Erika.
A experiência inclui atividades como tipagem sanguínea, visitas a áreas assistenciais e discussões sobre prevenção em saúde. Os conteúdos são sempre conectados ao cotidiano dos estudantes, tornando o aprendizado mais significativo.
Ao final, os alunos consolidam todo o aprendizado em projetos desenvolvidos ao longo da Iniciação Científica. Mais do que o conteúdo técnico, o momento evidencia a evolução na forma de pensar, se comunicar e trabalhar em grupo.
“A gente observa tudo: como eles se comunicam, como interagem, como se posicionam. É um processo muito rico”, destaca a Dra. Erika.
As apresentações funcionam como um marco do amadurecimento dos participantes. Nesse percurso, os estudantes desenvolvem também a responsabilidade e maior autonomia intelectual. “É muito bonito e gratificante ver o amadurecimento deles ao longo desses meses”, afirma.
Alto índice de aprovação no Ensino Médio Técnico do Einstein
Grande parte dos alunos participantes do projeto tem interesse em ingressar no Ensino Médio Técnico do Einstein e, atualmente, a aprovação nesse processo seletivo é de cerca de 60%.
Esse dado reforça o impacto concreto da iniciativa na trajetória educacional dos estudantes. “Os alunos que passam pelo projeto chegam ao Ensino Médio Técnico com um pensamento mais crítico e diferenciado”, destaca a Dra. Erika.
Além da aprovação, o programa contribui para o preparo acadêmico e o fortalecimento da autoconfiança.
Uma nova forma de ver o mundo
Embora não tenha como objetivo principal formar cientistas, o projeto contribui para desenvolver, nos alunos, uma nova forma de enxergar o mundo.
“Eles saem daqui com outra maneira de pensar, questionando mais e entendendo melhor a realidade. Essas qualidades são importantes para qualquer profissão que queiram seguir”, afirma a Dra. Erika.
A proposta também estimula os alunos a se tornarem multiplicadores do conhecimento em suas comunidades. A ideia é que levem o aprendizado para além do ambiente escolar, impactando outras pessoas, tornando-se verdadeiros embaixadores.
Um modelo que inspira o futuro
A iniciativa também busca inspirar outras instituições a replicarem o modelo. A proposta é ampliar o acesso ao pensamento científico desde cedo, fortalecendo a educação e a inovação no país.
“Acreditamos que esse tipo de formação deve começar o mais cedo possível. Por isso, queremos incentivar outras organizações de saúde a realizar projetos como esse”, destaca a Dra. Erika.







