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A difícil arte de liderar pessoas e suas emoções

Habilidades técnicas já não bastam para obter sucesso na liderança. É preciso que os profissionais saibam promover o seu próprio bem-estar emocional e, também, o de sua equipe

Foi-se o tempo em que as habilidades técnicas eram as únicas a nortear a busca pela liderança profissional. Hoje em dia, elas continuam sendo essenciais para conquistar uma posição no mercado, porém, existe um outro atributo – talvez ainda mais importante – que fará com que esse profissional permaneça no cargo e obtenha sucesso. Sim, estamos falando da gestão das emoções.

Como você lida com as suas próprias emoções? E as de seus liderados? Essas questões passaram a ser critério de escolha dos recrutadores e têm sido cada vez mais levadas em conta por empresas no momento da contratação, ainda mais de um líder! Esse movimento no mercado de trabalho é alvo de estudos aprofundados da pesquisadora do Instituto do Cérebro e docente na área de neurociência e comportamento do Hospital Israelita Albert Einstein, Elisa Harumi Kozasa, também coordenadora do Curso de Atualização The Journey: Emotional Management Experience, uma jornada de empoderamento, que oferece ferramentas práticas para promover o seu bem-estar emocional e o de sua equipe.

Segundo Elisa, para gerenciar as emoções é preciso primeiro conhecê-las. “A maioria das pessoas só percebe um episódio emocional depois que ele já aconteceu. Por isso, é importante conhecer os gatilhos emocionais, ou seja, o que faz com que a pessoa responda de forma inadequada a um determinado estímulo, que emoção está surgindo. Algumas pessoas têm habilidade natural para isso, outras podem obter benefícios a partir de treinamentos”, detalha.

Um dos fatores determinantes na forma como reagiremos a um estímulo emocional é a nossa pré-condição ao evento. Se um profissional está desanimado ou já chega irritado para uma reunião de trabalho, por exemplo, pode não reagir bem a uma crítica à sua equipe ou a algo que nem seja de sua responsabilidade. No entanto, o que poderia ser explicado com clareza e tranquilidade, pode terminar mal, fazendo o profissional gritar, ofender, descarregar emoções em seus liderados ou simplesmente começar a chorar.

Segundo a definição de Paul Ekman – um dos maiores psicólogos do século passado, pioneiro no estudo das emoções e expressões faciais – os gatilhos emocionais são desencadeados justamente por componentes como a pré-condição emocional, o evento em si e a base de dados emocional, ou seja, o conjunto de experiências emocionais que as pessoas adquirem ao longo da vida e que contribuem para a definição de um padrão de comportamento.

“Compreender profundamente os elementos que compõem os gatilhos pode nos levar a um outro nível de conhecimento emocional, resultando em respostas mais adequadas e eficazes”, completa a especialista. ​

Então, como controlar as emoções no ambiente de trabalho?

Monitorar sua pré-condição é o primeiro passo para identificar se algo pode desencadear algum episódio emocional. Se você não dormiu bem ou está estressado por algum motivo, procure evitar situações que o exponham. Isso significa tomar atitudes como adiar uma reunião ou, se não for possível, levar com você alguém de sua equipe que esteja preparado para contribuir com informações importantes. Chegar com antecedência, preparar-se (emocionalmente) e saber quem irá participar da reunião também são estratégias para que você esteja preparado para esse momento e que ele ocorra da melhor maneira possível.

E quando o problema é com alguém do meu time?

Um líder sabe que em algum nível ele precisa gerar um estresse positivo em seu time para obter o resultado esperado. Mas num momento em que as pessoas já estão emocionalmente esgotadas, isso não é uma boa ideia. A melhor alternativa, neste caso, é conversar, procurar saber como as pessoas estão se sentindo e que tipo de apoio elas precisam naquele momento.

No Hospital Israelita Albert Einstein existe um protocolo de segurança do colaborador chamado FoCo (Foco na Consciência). Ele consiste em exercícios que promovem a tomada da consciência, a atenção plena e o cuidado próprio e com os colegas, além do comportamento seguro antes e durante a rotina de trabalho. Atualmente, mais de 11 mil colaboradores possuem treinamento nessa metodologia, que tem contribuído para o cuidado mútuo entre as equipes.

“Faz parte da característica humana perceber quando outra pessoa com a qual convivemos não está bem. A ideia desse protocolo é o de que, ao ter essa percepção, a pessoa que está mais próxima acolha, converse e ajude-a a entender se é hora de buscar o apoio de um profissional”, afirma Elisa.

É preciso saber a hora de parar

Liderar uma equipe é assumir uma grande responsabilidade. Trata-se de gerenciar o capital mais complexo de uma organização: as pessoas. Mas é preciso saber a hora de parar. Respeitar o ritmo biológico e as necessidades pessoais é muito importante para manter o bem-estar.

O ‘parar’ para se conhecer e se perceber é fundamental para a gestão das emoções. É muito comum que, ao identificar um problema, num primeiro momento, a pessoa acredite tratar-se de algo normal, que faz parte da vida e que é só seguir em frente. Mas, muitas vezes, ela pode estar adiando uma questão que trará consequências negativas, tanto para o trabalho quanto para a vida pessoal. Por essa razão, fazer pausas é essencial.

O que você pode fazer para melhorar o seu bem-estar
Alguns ajustes na rotina podem colaborar – e muito – para aumentar a sua qualidade de vida e, com isso, contribuir para a gestão das emoções no dia a dia. Veja algumas dicas, que trarão benefícios para a vida pessoal e profissional:

  • Não leve telas para o quarto (televisão, celular, computador etc.). Faça desse ambiente apenas o seu local de repouso, não de estimulação.
  • Não exagere no café, principalmente no fim da tarde: saiba quando parar para não prejudicar o seu sono.
  • Consuma alimentos saudáveis: eles oferecem mais energia e disposição.
  • Pratique atividades físicas: a Associação Médica Americana recomenda entre 150 a 300 minutos de atividade moderada a intensa por semana (se você for sedentário, faça uma avaliação com o seu médico antes de iniciar qualquer atividade).
  • Tenha em seu convívio pessoas que sejam de sua confiança e que você possa contar seus sofrimentos e dificuldades do dia a dia.
  • Faça pausas durante o dia: sente por alguns minutos, faça breves exercícios de relaxamento/meditação, contemple a natureza, ouça uma música etc.
  • Priorize o seu bem-estar e a sua saúde.

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