Ciência e Vida

Do conhecimento à inovação: o ciclo da Pesquisa que impulsiona a saúde

Entenda como a jornada da Pesquisa no Einstein conecta diferentes etapas até gerar impacto real na sociedade

Uma cirurgia minimamente invasiva de retirada de tumor geralmente ocorre em duas etapas: na primeira, um Médico identifica onde está esse tumor e faz uma marcação nele, utilizando um pequeno dispositivo médico que fica suturado; na segunda, um Médico remove o tumor previamente marcado.

Durante esse tipo de cirurgia, certamente, entre os desafios, está o de enxergar com precisão dentro do corpo. Em um dos projetos desenvolvidos no Einstein, a fim de melhorar a marcação dos tumores e a aprimorar a efetividade das cirurgias, a solução encontrada foi um dispositivo semelhante a um fio metálico capaz de “brilhar” dentro do organismo, facilitando a visualização pelos Médicos.

O que parece, à primeira vista, uma inovação tecnológica direta, na verdade exigiu uma busca anterior: entender como determinadas substâncias se comportam quando aderidas à superfície de metais, como mantêm ou perdem suas propriedades luminescentes (seu brilho) e de que forma podem ser ajustadas no nível molecular.

Esse é um exemplo prático de que a inovação em saúde não nasce pronta. Ela percorre um caminho estruturado, que começa muito antes da aplicação prática e que passa por diferentes etapas da Pesquisa Científica.

O ponto de partida: entender antes de aplicar

Esse percurso começa na Pesquisa Básica, responsável por investigar os fenômenos em sua essência. Seu objetivo principal não é criar soluções imediatas, mas gerar conhecimento.

“A finalidade da Pesquisa Básica é nos ajudar a entender os fenômenos, ou seja, como e por que eles acontecem”, explica o Docente no Ensino Einstein e Pesquisador em Nanociência, Dr. Roger Borges.

Na prática, isso significa estudar desde o comportamento de proteínas até os mecanismos de desenvolvimento de doenças. Mesmo quando existe uma motivação prática, como compreender sobre um câncer ou uma alteração celular, o foco está em desvendar os processos fundamentais.

Esse tipo de investigação exige integração entre diferentes áreas. Biologia, Química e Física atuam de forma conjunta, apoiadas por ferramentas como Matemática e Computação, para modelar sistemas e analisar grandes volumes de dados.

Quando o conhecimento vira possibilidade

À medida que essas descobertas avançam, elas começam a abrir caminhos para aplicações. É nesse momento que entra a Pesquisa Aplicada, que utiliza o conhecimento gerado para desenvolver soluções concretas.

Segundo o Coordenador de cursos de Graduação no Ensino Einstein, Dr. Welbert Pereira, os diferentes níveis da Pesquisa compõem uma régua. “À medida que avançamos nessa régua, usamos os elementos da Pesquisa Básica já descobertos para reorganizá-los e aplicá-los a uma solução objetiva”, ressalta.

É nessa etapa que surgem protótipos, novos materiais, dispositivos médicos e potenciais tratamentos.

Embora os conceitos sejam bem compreendidos separadamente, na prática, os tipos de Pesquisa são conectados.

“Para desenvolver uma tecnologia, muitas vezes é necessário voltar à Ciência Básica e entender como os materiais estão interagindo, qual é a conformação dessas estruturas. Ou seja, as etapas não são isoladas, elas se retroalimentam”, exemplifica o Dr. Roger.

Antes do paciente: os testes e validações

Entre a ideia e a aplicação final, existe um caminho rigoroso de validação. Após o desenvolvimento inicial, as soluções passam pela chamada Pesquisa Pré-clínica, com testes em células e modelos animais.

Somente depois dessa fase é que se chega à Pesquisa Clínica, quando as soluções são avaliadas em seres humanos, seguindo protocolos éticos e científicos rigorosos. “Quando trabalhamos com humanos, entramos na Pesquisa Clínica, com uma série de protocolos para garantir a segurança das pessoas envolvidas”, explica o Dr. Roger.

O papel do ecossistema na inovação

Instituições de excelência são justamente aquelas que conseguem atuar em toda essa extensão, ou seja, em toda essa régua da Pesquisa.

No Einstein, esse ciclo acontece de forma integrada. Ensino, Pesquisa e Inovação conectam-se em um ambiente que percorre todas as etapas, da bancada ao paciente. “Temos cientistas e laboratórios desenvolvendo pesquisas desde o nível mais fundamental até a Pesquisa Clínica”, destaca o Dr. Welbert.

Isso permite que estudantes participem ativamente desse processo ao longo da formação, inclusive por meio da Iniciação Científica, vivenciando na prática como o conhecimento evolui até gerar impacto real na saúde.

Para que esse ciclo funcione na aplicação real, é fundamental a existência de um ecossistema científico estruturado, que conecte diferentes atores: Pesquisadores, estudantes, Centros de Pesquisa, indústria e setor público.

Sem Pesquisa Básica, não há conhecimento novo. Sem Pesquisa Aplicada, esse conhecimento não se transforma em solução. E, finalmente, sem Pesquisa Clínica, não há validação nem segurança para a sociedade.

“O desenvolvimento tecnológico não anda sem a Ciência Básica. É essa integração que sustenta a inovação”, exemplifica o Dr. Roger.

Seja no desenvolvimento de um dispositivo, de um medicamento ou de uma nova abordagem clínica, o início é sempre com uma pergunta ainda sem resposta. É essa inquietação que move a ciência e é o ciclo da Pesquisa que transforma essa curiosidade em soluções capazes de chegar, com segurança e impacto, até a sociedade.

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