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Ex-Alunas da Enfermagem Einstein participam de artigo publicado no Grupo Nature

​O estudo faz parte da linha de pesquisa e-Natureza, que contou com a participação de Daniela, Giulia, Letícia e Tinely desde quando eram alunas da Graduação em Enfermagem do Einstein e participavam dos Programas de Iniciação Científica e de Monitoria

“Colaborar com o bem-estar e saúde de pacientes por meio do engajamento com a natureza”. Essa foi a crença que motivou as então alunas da Graduação em Enfermagem do Ensino Einstein, Daniela Dal Fabbro, 28 anos, Giulia Catissi de Lima, 24, Letícia Bernardes de Oliveira, 23, e Tinely Souza, 24, a embarcarem nos estudos da Pesquisadora do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP), Professora-doutora, Eliseth Leão, em sua linha de pesquisa denominada e-Natureza.

O trabalho, realizado desde 2016, tem como principal objeto de estudo a natureza e como as imagens sobre ela são capazes de promover conforto, tranquilidade, alegria e até reduzir a ansiedade de pacientes em tratamento no hospital.

A curiosidade revelada pelos estudos, conforme a Professora-doutora, é constatar que fotos da natureza aliviam o mal-estar de pessoas em tratamento médico. A pesquisa partiu da seguinte pergunta: – O que especificamente na natureza faz bem ao ser humano? “A partir dessa questão, chegamos a grupos de imagens com potencial de proporcionar algum tipo de bem-estar”, esclarece.

O grupo de cientistas, formado por ela e colaboradores do Instituto Butantã e da Universidade Tecnológica do Paraná, além das alunas do Einstein e a parceria de um fotógrafo da National Geographic, reuniu variados registros da natureza obedecendo a rigorosos critérios de qualidade.

A participação de Daniela, Giulia, Letícia e Tinely demandou muitas horas de dedicação da equipe, que foi dividida em duas partes. A primeira teve o objetivo de desenvolver e validar um banco de dados de imagens da natureza, avaliadas afetivamente de forma a promoverem emoções positivas. E a segunda consistiu na categorização dos grupos de fotografias de acordo com cenas da natureza, relacionando-as a contextos clínicos e perfis de tratamentos, com vistas a promover bem-estar conforme o estado de saúde do paciente.

O resultado da primeira etapa já ganhou um artigo, que foi publicado em nada menos do que uma das mais importantes publicações científicas em saúde do mundo: a Scientific Reports, do Grupo Nature. “Exigiu muito empenho, como toda pesquisa, e está sendo muito compensador fazer parte de mais essa conquista”, comemoram as quatro autoras.

Com isso, a comunidade científica, que já atestou evidências de um efeito positivo dos ambientes naturais na saúde, pode agora contar com o e-Nature Positive Emotions Photography Database (e-NatPOEM).

Trata-se de um banco de imagens compreendendo 403 fotografias de alta resolução (1600 × 1200 pixels) focadas em valência positiva e agrupadas em nove categorias gerais: (1) Paisagem, (2) Água, (3) Floresta/bosque, (4) Aves claras, (5) Aves coloridas, (6) Céu, (7) Flores, (8) Insetos e (9) Mar. “Essa separação deu-se porque queríamos explorar como a resposta afetiva difere em diversos elementos da natureza”, conta Letícia.

As imagens, com características importantes que as distinguem de outras em bancos de dados de classificação afetiva existentes, foram agrupadas em mais cinco grupos de atributos com base na experiência dos participantes: (1) Beleza (experiência estética), (2) Paz / tranquilidade, (3) Estados positivos, (4) Miscelânea e (5) Estados negativos. “Esses critérios foram adotados considerando que a experiência estética advém da qualidade do material fotográfico, mas a experiência emocional vem do assunto e da forma como é fotografado, o que influencia a experiência perceptiva dos pacientes”, explica Giulia.

As fotografias do grupo de controle foram obtidas na internet e consistem em 28 imagens de animais como cobras e aranhas, além de natureza degradada descritas e confirmadas no estudo como sendo de baixa valência e alto alerta.

Conforme Eliseth, a pesquisa contou com o apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e um dos ineditismos foi o de criar um banco de imagens, validadas como promotoras do bem-estar e emoções positivas. “Há apenas quatro coletâneas de imagens internacionais voltadas para pesquisas científicas. Porém, elas são utilizadas, principalmente, para o estudo de fobias e de uso restrito de cientistas. A maioria são registros de aranhas, serpentes, pessoas mutiladas e nem sempre com bons parâmetros fotográficos, pois a estética e a qualidade também geram bem-estar”, afirma.

e-NatPOEM já está disponível ao público e profissionais de saúde, bastando enviar um e-mail para [email protected], solicitando as imagens mediante o preenchimento de um formulário.

Jovens pesquisadoras

Giulia terminou a Graduação em Enfermagem em 2018 e traz consigo os frutos, os quais acredita que vão durar para sempre. “Foi uma experiência impagável”, sobretudo porque durante seus estudos ela pôde participar do Programa de Monitoria no Núcleo de Pesquisa Assistencial, do IIEP. “Trabalhamos com as pesquisas ligadas diretamente à área de Enfermagem sob a coordenação da Eliseth”, completa.

No segundo ano da Graduação, ela passou a fazer parte do Núcleo. Em 2018 realizou o estágio extracurricular e, em 2020, atuou como Assistente de Pesquisa.

Os estágios que concluiu em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do município de São Paulo contribuíram para que ela somasse experiência e paixão pela área da saúde pública, o que a impulsionou a cursar duas Pós-graduações: uma com enfoque em gestão e pesquisa (na Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo – especificamente no Instituto de Saúde) e a outra em assistência de Enfermagem na Universidade Federal de São Paulo. Ambas de 2019 a 2020.

Ela também se orgulha do intercâmbio que realizou, em 2016, no MD Anderson Cancer Center, hospital de referência mundial em tratamento de tumores cancerígenos. “Acho que esse também é um grande diferencial da Graduação em Enfermagem do Einstein sobre abrir essas portas para vivências internacionais, além da excelente base para a nossa formação acadêmica e profissional”.

Atualmente, ela segue no Mestrado Acadêmico do IIEP, na linha de pesquisa sobre Envelhecimento, investigando a associação entre a conexão e o engajamento com a natureza e a qualidade de vida e bem-estar entre os idosos. “A minha orientadora é a Eliseth, como não poderia ser diferente. Queremos investigar também a percepção deles em relação às ações relacionadas à natureza”, explica Giulia.

Formada em junho de 2021, na 30ª turma da Graduação em Enfermagem do Einstein, Letícia também se descobriu pesquisadora por meio do Programa de Monitoria. “O Núcleo proporciona um grande envolvimento com as pesquisas e seus Pesquisadores, pois participamos de estudos multissetoriais tanto na área da Enfermagem quanto de equipes multiprofissionais”.

Por ser recém-formada, ela ainda não experimentou o mercado de trabalho, porém sente-se confiante como futura profissional tanto trabalhando na assistência quanto seguindo a carreira como Pesquisadora. “Eu ainda não me decidi, mas com certeza todas essas participações e esforço individual e coletivo devem contar satisfatoriamente para o meu futuro como Enfermeira”, conclui Letícia, que segue atuando como bolsista em outro projeto de pesquisa sobre natureza e saúde no IIEP.

Já Daniela escolheu a Iniciação Científica como caminho para tomar contato com pesquisas e desenvolver-se como profissional, continuando como monitora e estagiária do Núcleo de Pesquisa Assistencial, além do estágio no MD Anderson. Formou-se Enfermeira no final de 2016 e durante os estudos passou a perceber claramente o seu papel na comunidade científica. “Eu comecei no segundo ano e logo senti que a minha contribuição seria ajudando a descobrir melhores maneiras de cuidar das pessoas, por meio de achados científicos”.

O primeiro projeto do qual participou foi sobre autocuidado de mulheres mediado pelos sentidos e acabou apresentando as conclusões dele em um congresso em Dijon, na França, em setembro de 2016, juntamente com a equipe de Pesquisadores com a qual trabalhou. Sempre apoiando os trabalhos científicos coordenados por Eliseth, ao final da Graduação, ela foi contratada como Assistente de Pesquisa e passou a ser colaboradora do IIEP.

Para ela, é difícil escolher uma área determinada de atuação, mas certamente é no bem-estar e promoção da saúde que ela quer continuar investindo como Pesquisadora. “O meu trajeto não foi planejado, foi acontecendo e, assim, conheci a minha característica questionadora. Eu sinto a necessidade de buscar explicação, que é a base da ciência”.

Daniela enfatiza que, para alguns alunos que não tiveram contato mais profundamente com a área da pesquisa, seja por meio da Iniciação Científica ou do Programa de Monitoria da Instituição, o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é um excelente exercício. “Eu acho que essa atividade deveria ser mais valorizada pelos alunos, pois é a oportunidade de comprovar todo o aprendizado e entender os elementos que fazem parte de um estudo científico”.

No momento, ela está finalizando o seu Mestrado Profissional em Enfermagem do Einstein, debruçada na dissertação que deve entregar ainda neste ano. Os seus achados têm ligação com o e-Natureza como forma de desdobrar os desfechos desse estudo. “Eu peguei as imagens utilizadas em vídeos para o projeto “Um tempo com e-natureza indoor” e assim vou realizar uma análise fílmica dos elementos que os compõem e que serão utilizados em novos estudos”.

Tinely começou a Iniciação Científica no segundo semestre da Graduação em Enfermagem, em 2017. Ela afirma que foi uma das experiências extracurriculares que mais agregaram em sua formação. “Eu não tinha experiência em Enfermagem e nem em pesquisa, mas pude contar com o apoio da orientadora Eliseth. Ela apresentou para mim esse mundo novo dentro da profissão, mostrando que a parte mais importante de ser Enfermeira é manter o cuidado sempre pautado em evidências”.

Conforme Tinely, participar desse projeto ao longo e após a Iniciação Científica resultou em uma formação de muita qualidade. “Afinal, toda a pesquisa leva a um objetivo: entender e proporcionar bem-estar ao paciente”. Durante o processo de sua construção, ela conta que aprendeu muito sobre a estrutura de uma publicação e sobre as pessoas que serão beneficiadas pelas evidências.

“Houve um período no qual fizemos pesquisa de campo na Oncologia. Durante a quimioterapia apresentávamos os vídeos sobre a natureza aos pacientes e aplicávamos um questionário avaliando o nível de bem-estar antes e após a visualização das mídias. Isso me ensinou muito, pois naqueles 20 minutos à beira-leito podíamos perceber as emoções e reações diferentes de cada paciente que vivenciava a pesquisa”.

Ainda hoje, trabalhando na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ela procura aplicar e replicar elementos de terapias integrativas que foram estudados durante a sua Iniciação Científica.

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Confira também alguns dos próximos eventos multidisciplinares do Ensino Einstein neste semestre, que podem ser acompanhados por todas as pessoas interessadas no tema:

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